Notificação ADA sobre seu site: o que verificar primeiro

Notificação ADA: o que ela alega, o papel da WCAG, o que reunir, por que overlay não resolve e quando chamar um advogado. Não é aconselhamento jurídico.

Equipe editorial FixReports12 min de leitura

Se chegar uma notificação extrajudicial (demand letter) com base na ADA, a lei americana de direitos das pessoas com deficiência, sobre o seu site, não a ignore, e não responda, não pague nem assine nada antes de falar com um advogado que atue na defesa em casos de ADA. Primeiro, leia exatamente o que a notificação alega, anote todos os prazos e guarde cópias datadas das páginas citadas. Depois, teste essas páginas com base na WCAG 2.1 ou 2.2 nível AA, o padrão técnico que essas notificações costumam citar, para que você e seu advogado saibam quais alegações se sustentam. Este artigo traz informações gerais e não constitui aconselhamento jurídico.

Pontos principais

  • As notificações costumam dizer que um usuário com deficiência, muitas vezes alguém que usa leitor de tela, não conseguiu usar o site, e listam barreiras como texto alternativo ausente, formulários sem rótulo e problemas de teclado (Law Offices of Nolan Klein, 2026 (abre em uma nova aba)).
  • A ADA não tem um padrão federal detalhado para sites de empresas privadas. As orientações sobre a web de 2022 (abre em uma nova aba) do Departamento de Justiça dos EUA apontam para a WCAG e os Section 508 Standards.
  • A UsableNet contou mais de 5.000 ações judiciais sobre acessibilidade digital em 2025, cerca de 70% delas contra o comércio eletrônico (UsableNet, dados até 15 de dezembro de 2025 (abre em uma nova aba)).
  • Dessas ações, 1.427 foram contra empresas que já tinham sido processadas antes.
  • Overlays e widgets não reescrevem o código do seu tema. A UsableNet registrou de 95 a 155 ações por mês em 2025 contra empresas que usavam um deles.

O que uma notificação ADA contra um site costuma alegar?

Uma notificação típica diz que uma pessoa com deficiência tentou usar o seu site, encontrou barreiras e que essas barreiras violam o Title III da Americans with Disabilities Act.

A maioria das notificações vem de um escritório de advocacia que representa o autor, em nome de uma pessoa identificada, muitas vezes alguém cego ou com baixa visão que usa leitor de tela. O Law Offices of Nolan Klein, escritório que atua na defesa, descreve notificações que listam deficiências técnicas específicas (falta de acesso por teclado, conteúdo que o leitor de tela não consegue ler, vídeos sem legendas) e pedem que a empresa pague honorários advocatícios e aceite um cronograma de correções (Nolan Klein, abril de 2026 (abre em uma nova aba)). Segundo o escritório, os advogados dos autores encontram erros de código com software automatizado, e os prazos de resposta costumam ser de 10 a 30 dias (Nolan Klein (abre em uma nova aba)).

As alegações geralmente correspondem a uma lista curta de critérios de sucesso da WCAG:

O que a notificação dizCritério da WCAG (nível)Onde aparece em uma loja
As imagens não têm alternativa em texto1.1.1 Conteúdo não textual (A)Fotos de produtos, imagens de coleções com link, ícones
Links e botões não têm nome2.4.4 Finalidade do link (em contexto) (A), 4.1.2 Nome, função, valor (A)Botões só com ícone de carrinho, busca, conta e redes sociais
Campos de formulário não têm rótulo1.3.1 Informações e relações (A), 3.3.2 Rótulos ou instruções (A)Cadastro na newsletter, caixa de busca, campos de quantidade
O site não pode ser usado com teclado2.1.1 Teclado (A), 2.1.2 Sem bloqueio do teclado (A)Megamenus, seletores de variante, carrinhos laterais, pop-ups
O foco não fica visível2.4.7 Foco visível (AA)Temas que removem o contorno de foco
O texto é difícil de ler1.4.3 Contraste (mínimo) (AA)Texto cinza-claro, selos de promoção, texto sobre imagens
Os vídeos não têm legendas1.2.2 Legendas (pré-gravadas) (A)Vídeos de produtos e da marca

Liste cada barreira e cada página que a notificação cita. Essa lista é o seu plano de testes.

Qual é a relação entre a WCAG e a ADA?

A ADA não define um padrão técnico para sites de empresas privadas, então a WCAG nível AA é a régua que notificações, acordos e orientações federais costumam usar como referência.

As Guidance on Web Accessibility and the ADA (abre em uma nova aba) do Departamento de Justiça (DOJ), datadas de 18 de março de 2022 e ainda publicadas no ada.gov em outubro de 2026, dizem que empresas abertas ao público devem oferecer pleno e igual acesso a seus produtos e serviços, que o DOJ não tem regulamento que fixe padrões detalhados para a web dessas empresas e que elas podem escolher como tornar seus sites acessíveis. O documento cita a WCAG e os Section 508 Standards como orientações úteis e lista as mesmas barreiras que aparecem nas notificações: contraste de cores insuficiente, texto alternativo ausente, falta de legendas, formulários inacessíveis e páginas que só funcionam com mouse.

Para governos estaduais e locais, a regra do Title II de 2024 do DOJ adotou a WCAG 2.1 nível AA, com prazos de cumprimento agora adiados para abril de 2027 e abril de 2028 por uma regra final provisória em vigor desde 20 de abril de 2026 (abre em uma nova aba). Essa regra não abrange lojas privadas, mas mostra qual padrão o DOJ escolheu.

A WCAG 2.2 é a Recomendação do W3C em vigor (W3C, edição de 12 de dezembro de 2024 (abre em uma nova aba)). Ela mantém os critérios da WCAG 2.1, exceto o obsoleto 4.1.1 Parsing, e acrescenta novos (W3C WAI (abre em uma nova aba)); por isso, testar com base na 2.2 AA cobre o que espera uma notificação que cita a 2.1 AA.

Os tribunais ainda divergem sobre a abrangência da lei. Em Robles v. Domino's, o Tribunal de Apelações do Nono Circuito aplicou a ADA ao site e ao aplicativo de uma rede de pizzarias por causa da ligação deles com os restaurantes, e a Suprema Corte dos EUA se recusou a rever o caso em 7 de outubro de 2019 (Supreme Court, processo 18-1539 (abre em uma nova aba)). Se uma empresa sem loja física está abrangida varia conforme o tribunal: a Seyfarth Shaw relata que decisões de tribunais de apelação da Califórnia limitaram as ações contra empresas que só vendem on-line, enquanto juízes federais de Nova York em geral têm sido mais receptivos (Seyfarth Shaw via JD Supra, 27 de março de 2026 (abre em uma nova aba)).

Ações judiciais sobre acessibilidade contra lojas virtuais são comuns?

Muito comuns, e o comércio eletrônico é o maior alvo.

IndicadorNúmeroFonte
Ações sobre acessibilidade digital em 2025 (tribunais federais e tribunais estaduais de Nova York e da Califórnia)Mais de 5.000 (3.195 federais, 1.919 estaduais)UsableNet (abre em uma nova aba), 1º de janeiro a 15 de dezembro de 2025
Participação do comércio eletrônico, 2025Cerca de 70%UsableNet
Ações contra empresas já processadas, 20251.427 (45% dos casos federais)UsableNet
Ações federais sobre sites com base no Title III, 20253.117, alta de 27% sobre as 2.452 de 2024Seyfarth Shaw (abre em uma nova aba)
Total projetado para 2026Cerca de 6.176, com base nas ações ajuizadas até 14 de junho de 2026UsableNet, 8 de julho de 2026 (abre em uma nova aba)

Os levantamentos contam de formas diferentes, então os totais não batem, e nenhum deles inclui as notificações resolvidas em acordo antes de qualquer ação ser ajuizada. Lojas pequenas não estão isentas: nos dados de 2025 da UsableNet, 64% das empresas processadas tinham faturamento anual abaixo de US$ 25 milhões.

O que reunir antes de responder?

Reúna a notificação, um registro de como o seu site estava quando ela chegou e os documentos que mostram quem criou e alterou o site.

O que reunirPor que importa
A notificação, o envelope ou o e-mail, a data de recebimento e qualquer prazoOs prazos determinam todo o resto
Capturas de tela datadas ou cópias salvas de cada página citada na notificaçãoMostram o site antes das correções; pergunte ao seu advogado sobre a preservação de provas
Dados da plataforma: nome e versão do tema da Shopify, ou tema e lista de plugins do WordPress, além dos apps instaladosMuitas barreiras vêm de um tema ou de um app, não do seu conteúdo
Contratos com sua agência, seu desenvolvedor, o fornecedor do tema e qualquer fornecedor de widgetSeu advogado vai procurar garantias e cláusulas de indenização
Auditorias anteriores, sua declaração de acessibilidade, reclamações de clientes e notificações anterioresMostram o histórico, a boa-fé ou um aviso prévio
Apólices de seguroPergunte ao seu corretor se alguma apólice pode cobrir o caso

Depois, teste você mesmo as páginas citadas. Um verificador automático encontra rapidamente texto alternativo ausente, falhas de contraste e botões sem nome, mas o W3C observa que as ferramentas não conseguem determinar sozinhas a acessibilidade (abre em uma nova aba). Faça também uma rodada só com teclado: navegue com Tab da página inicial até uma coleção, abra um produto, escolha uma variante, adicione ao carrinho e chegue ao botão de finalizar compra. Se você perder o foco de vista ou ficar preso, a notificação provavelmente tem razão sobre o acesso por teclado. Nossa análise gratuita roda o axe-core em um navegador real em uma página inicial, uma de coleção, uma de produto, uma de carrinho e uma de conteúdo, como uma primeira verificação rápida.

Por que um overlay ou widget não faz a notificação desaparecer?

Os overlays acrescentam um script por cima das suas páginas, enquanto as barreiras descritas na notificação estão no HTML, no CSS e no JavaScript do seu tema.

A denúncia da Federal Trade Commission (FTC) contra a fornecedora de overlay accessiBe alegou que sites com o widget dela ainda tinham texto alternativo ausente ou impreciso, indicadores de foco ausentes, armadilhas de teclado e menus com defeito, e que os próprios testadores da empresa encontraram erros em quase todos os sites que testaram (denúncia da FTC, janeiro de 2025 (abre em uma nova aba)). Em 22 de abril de 2025, a FTC finalizou uma ordem que obriga a accessiBe a pagar US$ 1 milhão e a proíbe de afirmar, sem provas, que seus produtos automatizados podem deixar qualquer site em conformidade com a WCAG (FTC (abre em uma nova aba)).

As ações judiciais também não pararam. A UsableNet registrou de 95 a 155 ações por mês em 2025 contra empresas que usavam widgets, cerca de 1.400 no ano pela nossa soma dos números mensais. Um overlay instalado depois que a notificação chega deixa inalterado o código que foi testado.

Quando falar com um advogado?

Imediatamente, antes de responder, pagar ou prometer qualquer coisa.

Um advogado de defesa em casos de ADA pode avaliar a legitimidade do autor, a competência do tribunal e como seriam um acordo e um cronograma de correções razoáveis. Aja rápido se você recebeu a citação de uma ação judicial em vez de uma notificação: na Justiça Federal americana, a contestação geralmente deve ser apresentada em até 21 dias após a citação (Federal Rule of Civil Procedure 12(a) (abre em uma nova aba)), e os tribunais estaduais definem seus próprios prazos.

Os valores em jogo dependem de onde a ação é proposta. Com base no Title III federal, um autor particular pode pedir uma ordem judicial para remover as barreiras e o pagamento de honorários advocatícios, mas não indenização compensatória nem punitiva (DOJ Title III Technical Assistance Manual (abre em uma nova aba)). Algumas leis estaduais acrescentam indenizações. O Unruh Civil Rights Act da Califórnia trata uma violação da ADA como violação da lei estadual (Civil Code 51(f) (abre em uma nova aba)) e fixa uma indenização mínima de US$ 4.000 por infração (Civil Code 52(a) (abre em uma nova aba)).

O que corrigir primeiro?

Corrija o que impede uma compra e depois corrija os templates, para que todas as páginas herdem a mudança.

  1. O caminho de compra. Um usuário de teclado ou de leitor de tela precisa conseguir abrir o menu, filtrar uma coleção, escolher uma variante, adicionar ao carrinho e chegar ao checkout.
  2. Templates do tema. Um rótulo ausente no template de produto se repete em todas as páginas de produto, então corrija uma única vez nas seções do tema da Shopify ou nos templates do seu tema do WooCommerce.
  3. Conteúdo. Adicione texto alternativo às imagens dos produtos: use Adicionar texto alternativo (abre em uma nova aba) na mídia do produto da Shopify, ou o campo Texto alternativo na Biblioteca de mídia (abre em uma nova aba) do WordPress.
  4. Apps e widgets. Apps de avaliações, chat e pop-ups injetam o próprio código. Teste esses apps e peça correções aos fornecedores.
  5. Registros. Mantenha um registro datado do que você encontrou e corrigiu. Seu advogado pode querer vê-lo.

Se você quer as constatações reunidas em um só documento, o Relatório de Acessibilidade testa até 25 páginas com base nos níveis A e AA da WCAG 2.2, inclui um teste de compra só com teclado até o botão de finalizar compra, traz o código antes e depois de cada correção e relaciona as constatações aos tipos de alegação que as notificações fazem. Ele não constitui aconselhamento jurídico e não pode garantir conformidade nem impedir um processo.

Perguntas frequentes

Uma notificação ADA é a mesma coisa que uma ação judicial?

Não. A notificação extrajudicial é enviada antes do ajuizamento de uma ação, ou em lugar dele, enquanto a ação judicial é proposta em um tribunal e você é citado com um prazo para responder. Nos dois casos, vale ligar logo para um advogado.

Posso instalar um widget de acessibilidade para resolver a reclamação?

Um widget não altera o código de fundo que a notificação descreve, e a UsableNet registrou ações judiciais em todos os meses de 2025 contra empresas que usavam widgets. Corrigir as barreiras no seu tema e no seu conteúdo é o que responde às alegações.

Corrigir meu site encerra a reclamação?

Não automaticamente. As correções eliminam as barreiras dali em diante, mas se elas resolvem uma reclamação pendente, incluindo os honorários advocatícios, é uma questão para o seu advogado.

Com qual versão da WCAG devo testar?

Teste com base na WCAG 2.2 nível AA. Ela inclui os critérios AA da WCAG 2.1 que a maioria das notificações cita, exceto o 4.1.1 Parsing, que foi removido, além de verificações mais novas, como o tamanho mínimo da área de toque.

Lojas pequenas na Shopify e no WooCommerce recebem essas notificações?

Sim. Nos dados de 2025 da UsableNet, 64% das empresas processadas tinham faturamento anual abaixo de US$ 25 milhões, e o comércio eletrônico respondia por cerca de 70% dos casos.

Faz diferença minha loja não ter endereço físico?

Pode fazer. Os tribunais divergem sobre se empresas que só vendem on-line estão abrangidas pelo Title III, e a resposta depende de onde a ação é proposta; por isso, consulte seu advogado.

Fontes